Com
esse título, Juriaan Kamp, na revista ODE de outubro de 2003, questiona
o progresso medido pelo Produto Interno Bruto (PIB). É uma visão
inovadora que queremos partilhar com nossos leitores. Para isso, organizei as
seguintes observações dele, com pequenas adaptações.
Joop
Stoltenborg
Progresso
é medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), a renda nacional: a soma de
tudo o que os habitantes do país ganham. O problema do PIB é que
ele não faz distinção entre atividades. Qualquer coisa
que aconteça no mercado é considerado progresso. Ao mesmo tempo
tudo que não pode ser expresso em dinheiro, mesmo o que é muito
importante para o bem estar, é negligenciado. Famílias, comunidades
e natureza, por exemplo, não figuram na equação da renda
nacional, mesmo que a qualidade desses elementos seja importante para determinar
como experienciamos nossas vidas. Devido à estranha forma como a renda
nacional é colocado, o crescimento econômico, tão desejado
e aplaudido, muitas vezes anda de braços dados com a decadência
social.
O PIB aqui
no Brasil, por exemplo, aumentaria tremendamente se toda a floresta amazônica
fosse derrubada. Se algum tipo de peixe está ameaçado, devido
a pesca intensa, ainda é considerado como fonte de renda pelos contadores
nacionais. Consumimos e comemos demais - o que conta - e ficamos gordos. Então
gastamos milhões em produtos de regime para nos livrarmos do excesso
de peso - e isso conta também. Se uma indústria química
produz um produto poluente, isso conta. Se esse produto acaba em lugares errados
e precisa ser limpo, conta de novo. Então poluição conta
em dobro.
Há
também atividades importantes que não contam. Se uma mãe
amorosa cuida de seus filhos, a sua contribuição para a economia
é nula. Se ela lê uma história para eles, nada acontece.
Mas se levam seus filhos a um berçário/creche ou deixam- na vendo
televisão, a renda nacional cresce. Todo o trabalho voluntário
não conta. Aparentemente, a renda nacional diz pouco sobre a riqueza
de uma nação. O próprio Simon Kuznets, que concebeu o sistema
nos anos trinta, alertou sobre as limitações do sistema: “Se
crescimento é a meta, deveríamos ter uma definição
clara de o que deve crescer e em que direção”.
Economistas
mais progressistas têm trabalhado em métodos melhores para calcular
a renda nacional, descontando os estragos e danos causados pelo progresso moderno.
Usando esses métodos eles recalcularam o crescimento econômico
na Europa e nos Estados Unidos desde a segunda guerra mundial e eles descobriram
que não houve qualquer progresso desde 1970. A qualidade de vida no ocidente
não melhorou apesar do fato de que, de acordo com os padrões usuais,
a renda nacional nesses paises dobrou desde então. Tem havido mais dinheiro,
mas ele não melhorou nossas vidas. Há mais carros, mas também,
mais congestionamento e poluição. Salários mais altos trazem
mais estresse e menos tempo.
No final das contas, quantos de nós realmente acreditamos que a qualidade
de nossas vidas dobrou nos últimos 30 anos?
Tradução
de Endré Kiraly.
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