Ano 11 - número 27 - De 29 de junho a 05 de julho de 2008. Itobi, sexta-feira, 4 de julho de 2008
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Crescimento? Que crescimento?
 

Com esse título, Juriaan Kamp, na revista ODE de outubro de 2003, questiona o progresso medido pelo Produto Interno Bruto (PIB). É uma visão inovadora que queremos partilhar com nossos leitores. Para isso, organizei as seguintes observações dele, com pequenas adaptações.

Joop Stoltenborg

Progresso é medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), a renda nacional: a soma de tudo o que os habitantes do país ganham. O problema do PIB é que ele não faz distinção entre atividades. Qualquer coisa que aconteça no mercado é considerado progresso. Ao mesmo tempo tudo que não pode ser expresso em dinheiro, mesmo o que é muito importante para o bem estar, é negligenciado. Famílias, comunidades e natureza, por exemplo, não figuram na equação da renda nacional, mesmo que a qualidade desses elementos seja importante para determinar como experienciamos nossas vidas. Devido à estranha forma como a renda nacional é colocado, o crescimento econômico, tão desejado e aplaudido, muitas vezes anda de braços dados com a decadência social.

O PIB aqui no Brasil, por exemplo, aumentaria tremendamente se toda a floresta amazônica fosse derrubada. Se algum tipo de peixe está ameaçado, devido a pesca intensa, ainda é considerado como fonte de renda pelos contadores nacionais. Consumimos e comemos demais - o que conta - e ficamos gordos. Então gastamos milhões em produtos de regime para nos livrarmos do excesso de peso - e isso conta também. Se uma indústria química produz um produto poluente, isso conta. Se esse produto acaba em lugares errados e precisa ser limpo, conta de novo. Então poluição conta em dobro.

Há também atividades importantes que não contam. Se uma mãe amorosa cuida de seus filhos, a sua contribuição para a economia é nula. Se ela lê uma história para eles, nada acontece. Mas se levam seus filhos a um berçário/creche ou deixam- na vendo televisão, a renda nacional cresce. Todo o trabalho voluntário não conta. Aparentemente, a renda nacional diz pouco sobre a riqueza de uma nação. O próprio Simon Kuznets, que concebeu o sistema nos anos trinta, alertou sobre as limitações do sistema: “Se crescimento é a meta, deveríamos ter uma definição clara de o que deve crescer e em que direção”.

Economistas mais progressistas têm trabalhado em métodos melhores para calcular a renda nacional, descontando os estragos e danos causados pelo progresso moderno. Usando esses métodos eles recalcularam o crescimento econômico na Europa e nos Estados Unidos desde a segunda guerra mundial e eles descobriram que não houve qualquer progresso desde 1970. A qualidade de vida no ocidente não melhorou apesar do fato de que, de acordo com os padrões usuais, a renda nacional nesses paises dobrou desde então. Tem havido mais dinheiro, mas ele não melhorou nossas vidas. Há mais carros, mas também, mais congestionamento e poluição. Salários mais altos trazem mais estresse e menos tempo.
No final das contas, quantos de nós realmente acreditamos que a qualidade de nossas vidas dobrou nos últimos 30 anos?

Tradução de Endré Kiraly.

Veja o artigo completo no www.pedagogiasocial.com.br

 
Tradução de Endré Kiraly.
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