Saúde para você. Vida para o planeta.
Itobi, quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Ano 13 - número 35 - De 29 de agosto a 04 de setembro de 2010
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Mais vale reduzir e reutilizar
 

Nem tudo dá para reciclar. Nem sempre vale a pena reciclar. Para não nos afogarmos no tsunami do lixo, vai ser preciso consumir menos.

Os problemas da reciclagem (sobretudo na cidade de São Paulo, onde moro) são muitos. Por aqui, a coleta seletiva não alcança todos os bairros e muitas vezes os caminhões especiais que deveriam levar os materiais para a reciclagem acabam despejando tudo no aterro comum. Isso sem falar que diversos itens reciCLÁVEIS nunca são reciCLADOS porque não vale a pena comercialmente, já que é muito mais fácil e barato produzir do zero. E, quando tudo dá certo, produtos químicos agressivos e muita energia são utilizados para transformar sucata em produto novamente.
Para escaparmos do tsunami do lixo, governos e empresas precisarão se comprometer de verdade com a faxina do planeta. O Brasil deu um passo importante em março, quando foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 203/91, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Mas ninguém deve esperar pela lei para começar a deixar menos lixo no mundo. Precisamos desde já repensar os hábitos de consumo de acordo com o velho lema dos ambientalistas: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Não por acaso, as palavras aparecem nessa ordem.
Em primeiro lugar, vem a ideia de reduzir. Ela implica em questionar antes de consumir, ou seja, livrar-se do impulso consumista para avaliar se realmente aquilo que está sendo adquirido terá uso. Vale respirar fundo, dar uma volta, pedir palpite. Só coloque a mão no cartão de crédito depois de pensar muito. É um hábito precioso (além de econômico), que vale a pena transmitir para os filhos.
OK, você comprou. Então está na hora de usar e abusar o máximo possível. Chegou a vez do reutilizar. Repetir, reformar e receber doação de roupa é o máximo do ecochic. Assim como nunca jogar comida fora. Reformar móvel, usar materiais alternativos na decoração e trocar objetos entre amigos são comportamentos nota dez em termos de sustentabilidade, ética e bom gosto. Cada folha de papel merece ser preenchida dos dois lados. Os clipes têm vida útil infinita (costumo juntar os que chegam às minhas mãos e depois devolvo em saquinhos para a contadora). Restinhos de batom no fundo do tubo podem ser aplicados com pincel. Potes de cosméticos e bisnagas de creme dental podem ser cortados para raspar o conteúdo até o fim. Embalagens vazias são ótimas para brincar de arte com as crianças. Roupas velhas viram retalhos em colchas de patchwork.
Só depois de reduzir suas posses ao realmente necessário, usar intensamente o que possui, dar um fim criativo às sucatas e acabar de vez com as sobras é que dá para pensar no terceiro R (reciclar). Aí catadores, caminhões e indústrias entram em cena. Mas, quando se trata de material orgânico, existe uma maneira muito mais nobre de reciclar: a compostagem. Você mesmo pode transformar os talos e cascas de vegetais e as podas do jardim em adubo para as plantas. Se mora em apartamento, a saída é ter um minhocário. Aqui em casa existe a composteira e o viveiro de minhocas. Meus filhos e os amigos deles gostam de espiar e ficam fascinados por presenciar a decomposição e o reinício do ciclo da vida. Afinal, desde o big-bang os átomos passeiam pelo universo nas mais variadas composições.

 
Claudia Visoni - Fonte: http://conectarcomunicacao
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