O
Sítio A Boa Terra, surgiu a partir de um sonho do casal Joop
Stoltenborg e Tini Schoenmaker e mais dois casais, de contribuírem
para "melhorar o mundo" buscando a sustentabilidade: fazer
agricultura em escala mais humana, preservar o meio-ambiente e diminuir
as desigualdades sociais. Para esta finalidade a Empresa Terra Viva,
de Holambra, doou um Sítio de 100 ha na divisa dos municípios
de Casa Branca e Itobi. Foi então que os três casais,
em 1981, começaram a experiência de formar uma comunidade
"auto-suficiente" com famílias carentes, baseado
em agricultura e fabricação de móveis de eucaliptos.
Um programa do Governo, Pró-várzea,
financiou a drenagem de 60 hectares de várzea do sítio,
dividindo a área em blocos de um hectare. Sessenta famílias,
na maioria trabalhadores rurais (bóias-frias), receberam
um hectare para plantar de forma autônoma. Assim, ao lado
do seu trabalho como diarista nas safras da região, podiam
cultivar seus próprios mantimentos e vender o excedente para
aumentar a renda familiar. Antes, nas entressafras, passavam até
fome. Foi criado um fundo mútuo onde era depositado 10% da
colheita. De comum acordo decidiam sobre o destino deste dinheiro.
Foi usado para a compra de máquinas e implementos, insumos,
etc. para uso comunitário.
Assim nasceu a Associação dos
Trabalhadores Rurais de Itobi – ATRAI, com 60 sócios,
oficializada em 1989. Foi a partir da ATRAI que surgiu a Associação
dos Sem Casa de Itobi, em que 107 famílias construíram
suas casas em sistema de mutirão, criando o Bairro da União
em Itobi, inaugurado em 1993. Uma bela história de fraternidade.
Mudança
Nos primeiros anos predominou no Sítio "A Boa Terra" o aspecto social e as experiências com o uso de tecnologia intermediária na lavoura com tração animal e fontes alternativas de energia e adubação, graças a biodigestores. Ganhou-se bastante experiência. Muitos caminhos se mostraram inviáveis. A tração animal foi abandonada e substituída por trator.
Porém na década de 90 os preços dos combustíveis e adubos químicos aumentaram e os preços do arroz, milho e feijão baixaram muito, obrigando os produtores da ATRAI a abandonarem suas terras.
Em 1992 retomou-se a produção de
hortaliças orgânicas, fortalecendo o enfoque ambiental.
Isso possibilitou que uma pequena parte dos sócios da ATRAI
se tornassem horticultores orgânicos. O fator limitante era
a água potável para irrigação.
Marca Sítio A Boa Terra
Para a comercialização das hortaliças criou-se a marca "Sítio A Boa Terra". Num primeiro momento os produtos eram vendidos nas feiras orgânicas na Água Branca e Ibirapuera em São Paulo, em feiras e pequenos supermercados e através de sacolas entregues em domicílio na região. Com o aumento do número de produtores e da produção, iniciou-se a venda através de grandes redes de supermercados em São Paulo. Após sete anos encerrou-se o fornecimento a estas redes por se mostrar economicamente inviável. Foram sete anos de prejuízo.
Cesta de Alimentos Orgânicas
Buscando estabelecer uma nova relação
entre o produtor e o consumidor, lançou-se um novo sistema
de vendas: a assinatura de hortaliças orgânicas, entregues
em domicílio. Almejamos com esse sistema reaproximar produtor
e consumidor, diminuir a poluição decorrente do uso
de embalagens, como bandejas de isopor, oferecer melhores preços
ao consumidor e oferecer maiores garantias ao produtor, que neste
sistema tem a certeza da venda de seus produtos, por um preço
pré-fixado.
Divulgação e conscientização
Com o intuito de melhor atender aos freqüentes pedidos de visita, por parte de escolas fundamentais, técnicas e universidades de agronomia, interessados em saber mais sobre agricultura orgânica e o nosso trabalho, formou-se uma nova iniciativa dentro do Sítio - A Boa Terra Ecologia e Desenvolvimento.
Foram criados programas de 4 ou 8 horas de duração para escolas, instituições, universidades, agricultores, grupos de terceira idade e outros, cada um com enfoques específicos. Um voltado para a agricultura orgânica e sua ligação com a alimentação, meio ambiente e o uso sustentável dos recursos naturais. Outro voltado mais intensamente para despertar o amor à natureza e sensibilizar para a urgente questão ambiental.
Com esta nova etapa, os iniciadores do Sítio A Boa Terra e seus colaboradores esperam ampliar sua contribuição e se unir cada vez mais a pessoas que sonham com um mundo melhor.
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